Para colegas, Rui Costa estaria perdendo a oportunidade que Wagner lhe deu de aprender gestão
Muito discretamente, o governo Jaques Wagner retomou uma discussão sobre a necessidade de melhorar sua coordenação interna, a partir da Casa Civil. Há largos setores da administração estadual afirmando que a gestão “está solta, sem coordenação” desde a saída de Eva Chiavon da chefia da Casa Civil, onde foi substituída pelo político Rui Costa, um deputado federal que é considerado o preferido do governador para sucedê-lo, em 2014.
A principal alegação é a de que, apesar dos defeitos da ex-assessora de Wagner, entre os quais o de não conhecer a Bahia e a falta de paciência para pessoalmente se aprofundar em levantamentos apresentados pelos secretários e construir discussões a partir deles, na época em que Eva chefiava a Casa Civil o governo tinha “monitoramento” e todos os auxiliares do primeiro escalão eram obrigados a apresentar relatórios trimestrais com metas para suas áreas.
“Isso se perdeu. A sensação é de que o barco está andando sem muito controle, o que piora por causa do perfil do governador, que é um excelente político, mas está longe de ter construído um vínculo maior com o processo de gestão nestes seis anos de duplo mandato”, conclui um experiente secretário estadual, lembrando que, no período em que Eva atuou na administração, havia pessoas designadas para monitorar as secretarias, identificar problemas e propor soluções junto com os secretários.
Ele lembra que, na época, a ministra Míriam Belchior, do Planejamento, chegou a ser convidada pelo ex-chefe da Casa Civil para fazer uma visita à Bahia com o exclusivo objetivo de discutir a melhor forma de promover um acompanhamento do trabalho das secretarias. “Hoje, é evidente que o governo estadual tem um projeto político, mas não tem coordenação da execução deste projeto político”, completa a mesma fonte.
Segundo ele, o problema acontece porque Rui Costa simplesmente abriu mão de aprender gestão, “nesta oportunidade que lhe foi dada pelo governador Wagner”, para fazer política. A mesma fonte conta que a ansiedade no governo estadual em relação ao assunto surgiu depois da eclosão das greves da PM e dos professores, que prejudicaram eleitoralmente o PT em vários municípios baianos, mas teria aumentado com os primeiros dias de gestão do prefeito ACM Neto (DEM).
“Além de ter montado um governo com vários expoentes do carlismo, que tinha como uma de suas marcas a preocupação com a gestão, ACM Neto tem se movimentado como um político que quer se sobressair como administrador”, conclui o mesmo secretário, avaliando que, se o prefeito for bem sucedido, será inevitável que se compare seus próximos dois anos de gestão com os oito que o governador estará concluindo em 2014, coincidentemente ano da sucessão estadual.
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